Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Portugal a caminho do Terceiro Mundo...


A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, considera que a política de cortes salariais aconselhada pela troika e seguida pelo Governo pode pôr Portugal a caminho do Terceiro Mundo.


“Hoje em dia é praticamente impossível um país desenvolvido, como, apesar de tudo, nós somos, andar a competir com os países muito mais pobres do que nós, com níveis de rendimento e, portanto, de salários muitíssimo baixos”, sustentou numa entrevista à Antena 1. “Se o nosso nível de competitividade quer ir para esse lado, isso significa que, então, nós nos estamos a candidatar a passar para o Terceiro Mundo, se não para o quarto.”


http://economia.publico.pt

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A actual política de agressão contra os trabalhadores visa destruir os direitos laborais, mas tem um escopo mais abrangente: o que está em causa é a deturpação das democracias e a imposição de um totalitarismo neoliberal que resulta na imposição às sociedades de imperativos não sujeitos a um escrutínio democrático.
O objectivo é dar um campo de manobra ilimitado ao poder financeiro, limitando o poder regulador e redistributivo dos Estados, deixando os cidadãos completamente desprotegidos face a interesses completamente alheios à promoção da equidade e do desenvolvimento humano, ético, da economia.
Quanto maior for o fosso entre países ricos e pobres na União Europeia, mais riqueza os países ricos podem canalizar para si - veja-se a escandalosa diferença nos juros das dívidas soberanas da Alemanha e dos países periféricos.
A classe dirigente em Portugal vive para promover os interesses dos grandes grupos económicos, o caso as parcerias público-privadas, do BPP e do BPN, e muitos outros, estão ligados às forças políticas do "arco da governação" e, sem uma ruptura institucional resultante da indignação dos portugueses, será impossível mudar este estado de coisas.

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Grécia: mãe e filho atiram-se de prédio de mãos dadas


A crise grega continua a fazer vítimas, desta vez foi uma mãe, de 90 anos com doença de Alzheimer, e o filho, um músico de 60 anos, que decidiram dar 'um salto para o vazio' quando quando as dificuldades económicas se tornaram insuportáveis. Testemunhas oculares contam que viram mãe e filho saltar de mãos dadas do terraço do prédio onde viviam.
Na passada quarta-feira, o falecido deixou num site de músicos e poetas uma mensagem desesperada: «Chamo-me Antonios Perris. Durante 20 anos tomei conta da minha mãe que sofre de Alzheimer desde há três ou quatro anos. Recentemente foi-lhe diagnosticada esquizofrenia e outros problemas de saúde, doenças que lhe vedam a entrada num lar de terceira idade. O problema é que não estava preparado quando a crise chegou. Apesar de ter possuído alguns bens, já os vendia todos, não tenho dinheiro, nem o que comer». Desesperado Perris perguntava: «Alguém conhece uma solução?».

De acordo com o El Mundo, mãe e filho são as vítimas mais recentes da 'depressão colectiva' em que a Grécia mergulhou devido a uma crise económica que parece não ter fim à vista.

Dados não oficiais, divulgados por médicos e ONG’s, estimam que nos últimos três anos cerca de 2500 cidadãos gregos tenham escolhido a morte como 'solução'  para os seus problemas.
http://sol.sapo.pt

Domingo, 27 de Maio de 2012

A governação Pingo Doce: licenciados a preço de saldo



Centros de emprego estão a oferecer trabalho a licenciados por 500 euros


Sindicato da Função Pública alerta que há empresas que estão a registar-se no portal Netemprego para beneficiarem dos apoios à contratação e que oferecem salários próximos do mínimo.
O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores (STFPSA) acusa o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) de publicitar ofertas de trabalho para licenciados a ganharem salários próximos dos 500 euros. As ofertas foram detectadas no portal Netemprego e dizem respeito a empresas que se inscreveram para beneficiarem dos apoios à contratação previstos na medida Estímulo 2012.
Um dos casos divulgados tem a ver com uma empresa de comércio de mobiliário e artigos de iluminação que pede arquitecto, com mestrado, para trabalhar a tempo inteiro por 500 euros. Outro, é uma empresa de estudos de mercado que pretende contratar um técnico de relações públicas licenciado para fazer clipping de imprensa. O horário de entrada é às cinco da manhã e o salário oferecido são 485 euros - o salário mínimo nacional. 
Tanto uma oferta como a outra já não figuravam, ontem, no portal. Mas uma pesquisa pelas 3370 ofertas de emprego disponíveis revelava casos semelhantes. Uma empresa candidatava-se ao Estímulo 2012 e pretendia admitir dois médicos dentistas, a tempo completo, a ganhar 650 euros. Outra pretendia um engenheiro mecânico, que fale inglês, francês e espanhol, oferecendo um salário de 700 euros. Em todos estes casos, as empresas apenas terão que suportar metade do salário.
"São verdadeiros saldos de engenheiros, arquitectos, relações públicas, desenhadores, com o patrocínio do serviço público de emprego", lamenta Catarina Simão, dirigente do STFPSA. "Não se respeitam as tabelas salariais nem a contratação colectiva", lamenta.
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Talvez seja por esta razão que Cavaco Silva prefere que jovens qualificados fiquem em Portugal: como é que poderiam encher os bolsos dos patrões se fugissem para o estrangeiro? Para as empresas poderem usufruir desta mega-promoção, os trabalhadores qualificados têm que ficar cá, para poderem ser metidos neste pacote que o governo arranjou: "leve 4, paga metade de 1!" Nada mau!
E é assim que se quer estimular a economia e o emprego. E não se vê que se quer é gerar desemprego para fazer baixar consideravelmente os salários, ao mesmo tempo que se precariza ainda mais os vínculos laborais. 
É por isso que não há interesse em gerar emprego. 
Com uma população activa mais qualificada, há que aproveitar as mais-valias da qualificação, sem com isso aumentar os custos do factor trabalho.
Com um pouco mais de esforço ainda se conseguirá ir mais longe. E se Portugal chega a campeão da Europa, então é que não custará mesmo nada. 



Alteração da carga horária manda mais professores para o desemprego



Informações sobre carga horária semanal causam confusão nas escolas


O Ministério da Educação assegurou este sábado, através do gabinete de imprensa, que as matrizes curriculares dos ensinos básico e secundário publicadas na sexta-feira não correspondem a uma carga horária semanal de aulas menor do que a anunciada em Março.


 O esclarecimento surge 24 horas depois de as dúvidas terem invadido os blogues sobre Educação e as associações de directores, cujos responsáveis lamentam a publicação de “informações incompletas” que causam “tensão e apreensão nas escolas”. 

A confusão foi lançada com a publicação, sem aviso e sem a contextualização legal, das matrizes curriculares dos ensinos básico e secundário, na página da Direcção-Geral da Educação. Ali, a DGE informa que as matrizes “farão parte integral” do Decreto-Lei “que estabelece os princípios orientadores da organização e gestão dos currículos”. A questão é que este não existe – está para publicação, “brevemente”, adianta a DGE. 

Contribuíram para o adensar das dúvidas o tipo de informação e a forma como ela é apresentada – muito diferentes do habitual, na medida em que correspondem a uma nova estrutura curricular e também a uma particular orientação do Governo, no sentido de dar autonomia às escolas para decidir as cargas horárias das disciplinas e a organização dos tempos lectivos.

Ao apresentar matrizes com tempos mínimos por disciplina ou área disciplinar e tempos máximos por ano de escolaridade; e ao fazê-lo no total de minutos e não em blocos de 45 ou 90, o ministério gerou entre os professores inúmeras dúvidas, que invadiram as caixas de comentários dos blogues em que estas questões são habitualmente debatidas. Ao mesmo tempo, começaram a cair telefonemas na Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) e na Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), relataram ao PÚBLICO os respectivos representantes, Filinto Lima e Manuel Pereira. Também a Fenprof, em comunicado, denunciou a atribuição de cargas horárias semanais inferiores às que eram propostas na última versão apresentada pelo ministério.
Em resposta a pedidos de esclarecimento do PÚBLICO e de outros órgãos de comunicação social, o ME assegurou que “se a escola pretender manter os tempos de 45 minutos, os tempos atribuídos a cada disciplina podem ser exactamente os que foram anunciados na revisão curricular”. “Os tempos indicados por disciplina/área disciplinar são tempos mínimos, menores que os que foram anunciados, mas não são obrigatórios. São para o caso de a escola pretender fazer uma distribuição diferente dos tempos disponíveis, nomeadamente arranjando-os em 50 minutos ou outros”, especificou.
Neste contexto, o ME considera “claro” que, “se se somarem os tempos mínimos indicados, não dará os totais que constam das grelhas, que são tempos máximos globais”. “Cada escola pode retirar tempos numa ou noutra disciplina e reforça-los, ou não, noutras. Fica ao seu critério. As escolas que não quiserem assumir uma decisão deste tipo utilizarão os tempos que foram anunciados e que se enquadram máximos globais”, esclareceu.
Em resposta ao PÚBLICO o ME esclarece ainda que decisão da redistribuição dos tempos compete à direcção da escola, depois de ouvido o conselho pedagógico e em função do projecto educativo. 
Tanto Manuel Pereira como Filinto Lima reiteraram ontem que as escolas não dispõem ainda de informação e de legislação que lhes permita preparar o próximo ano lectivo. “Divulgar matrizes que não fazem sentido sem informação complementar só vem aumentar a tensão e apreensão que já existem nas escolas”, lamentou Filinto Lima.
http://www.publico.pt

O documento em causa pode ser descarregado aqui.
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A verdade é que há uma diminuição da carga lectiva semanal (veja-se o exemplo da Filosofia no secundário, passa dos actuais 180 minutos para 150 minutos). O objectivo inconfessado é despedir professores. As razões pedagógicas vão para as urtigas quando as escolas tiverem que começar a tomar decisões sobre que professores vão para a rua: nalguns casos será um 'salve-se quem puder', quem tem representatividade no pedagógico, segura-se, quem não tem, perde o lugar.
Com os sindicatos calados, ou sem vontade de lutar a sério, é difícil contrariar esta política ruinosa para o sistema educativo.
Resta esperar que os portugueses assumam a luta como a via necessária.

Mais depressa se apanha um mentiroso que um espião!

                            Capa do jornal I de 26/05/2012
Balsemão vai apresentar queixa-crime por ter sido espiado
Francisco Pinto Balsemão vai apresentar uma queixa-crime por ter sido investigado a mando de Jorge Silva Carvalho quando este já trabalhava na Ongoing. O presidente da Impresa e fundador do PSD foi alvo de um relatório que consta do processo das secretas, em que são acusados o ex-director do SIED, Nuno Vasconcellos (patrão da Ongoing), e João Luís, ex-director do Departamento Operacional do SIED.
Depois de ser surpreendido por dados sobre a sua vida constarem do processo das secretas, Francisco Pinto Balsemão decidiu responsabilizar criminalmente os autores do documento devido à produção e conteúdo de um relatório com “dezenas de calúnias e falsidades – algumas das quais de mau gosto e grotescas”.
Em declarações ao i, Pinto Balsemão diz ter ficado chocado ao “conhecer os métodos, os princípios e as práticas adoptadas por pessoas e empresas que desenvolvem as suas actividades livre e impunemente numa sociedade democrática”. O presidente da Imprensa estará ainda a aconselhar-se com os seus advogados para decidir se a queixa irá recair apenas sobre Silva Carvalho, que encomendou o relatório, e Paulo Félix, o funcionário da Ongoing que o terá produzido, ou também sobre a própria Ongoing.
Tal como o i noticiou hoje, Silva Carvalho enviou a 4 de Setembro de 2011 um email a pedir para verem “em fontes abertas tudo o que havia “sobre o Balsinhas” (nome de código para Balsemão), “em particular sobre os empréstimos que tem, que bancos, quando venciam, etc.”. Silva Carvalho argumentava que essa informação interessava “à estrutura financeira e económica da empresa” (Ongoing). E terminava dizendo que “gostava de idealmente” ter resultados ainda no final dessa semana. Horas depois, Paulo Félix, então funcionário da Ongoing e ex-inspector da Polícia Judiciária, respondeu: “Vou ver o que consigo.” O resultado é um relatório de 31 páginas que consta do processo-crime e que inclui uma colectânea de notícias sobre Balsemão, uma cronologia com os factos mais importantes da sua biografia, uma lista de amigos, inimigos e aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.
Veja-se também:

Silva Carvalho também se insinuou para ministro

Silva Carvalho, o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) apanhado no caso das secretas, fez jogos de charme junto de dirigentes político-partidários e não só para se insinuar para chefe máximo dos Serviços de Informações. Nos autos, consta um sms enviado a Marco António Costa, à data vice-presidente do PSD, que mostra que o ex-espião tinha outras ambições ainda maiores: chegar a ministro. Só não revelava qual a pasta que desejava ocupar.

Secretas: Capucho exige que caso vá até "às últimas consequências"


Ex-conselheiro de Estado afirma que ministro está numa "situação muito difícil". Novas revelações sobre o relacionamento entre Miguel Relvas e Silva Carvalho incluem três encontros e trocas de SMS, onde o social-democrata promete ver o que pode "fazer".

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A democracia portuguesa está a saque.
Figuras tentaculares como a do 'espião' que tanto está a dar que falar não são uma triste excepção na nossa sociedade: esta história é emblemática, porque mostra como se fazem os líderes, de topo e intermédios, do nosso aparelho político.
A manipulação, as trocas de favores, a ligação a interesses que nada têm de promotores do bem público, a cleptocracia praticada por sms, sem medo ou vergonha, a permeabilidade dos partidos a este jogo de influências e a apatia dos cidadãos em relação à causa pública, tudo isto dá origem a um regime político virado para a sustentação de poderes paralelos que minam os sustentáculos da ética republicana e forjam uma fachada institucional que esconde a realidade crua em que vivemos: a riqueza que produzimos é só para usufruto de alguns, muito poucos, talvez poucas dezenas de milhar, um grupo que vive da miséria da esmagadora maioria dos cidadãos e a quem o actual estado de coisas serve como uma luva: a intervenção da Tróika serve de pretexto para retirar direitos laborais, cortar nos salários, destruir os serviços públicos e estuprar a democracia, tudo bem embrulhado com a palavra crise que denota um gigantesco dispositivo de manipulação criado para benefício da casta dirigente.
Miguel Relvas e Silva Carvalho são parecem ser assim tão diferentes. 
Se alguém quiser ser líder partidário, e até primeiro-ministro ou presidente da república, tem que subir às costas de alguém com este perfil. Sem estes Richelieu de pacotilha não há conquista do poder. E é claro que o poder fático está nas mãos deles. São eles quem propõe as nomeações dentro dos aparelhos partidários ou institucionais e são eles que apoiam as lideranças, apeando ou consagrando correligionários, ou alimentando a imprensa com factos políticos que dobram o curso das coisas no sentido pretendido, levando as pessoas a aceitarem o jugo a que elas próprias se sujeitam.
Vemos assim que o governo de Passos e Portas não é geneticamente diferente do de Sócrates. Está lá a mentira, a manipulação, a cegueira democrática e a ambição desmedida. Está lá tudo. Enquanto a trupe do PS veraneia na oposição, a do PSD e do CDS faz pela vida. É assim nas melhores famílias.
A retórica da seriedade e da moral dos bons cumpridores é importante porque onde há seriedade e ética, lidera-se pelo exemplo e as palavras são usadas com parcimónia.
Esta história das secretas num país verdadeiramente democrático já teria provocado uma hecatombe de demissões e de processos de investigação, a nível criminal e político.
Não é concebível que alguém consiga pôr um sistema de informações de um Estado ao serviço de espionagem industrial ou até mesmo da cusquice saloia duns quantos dirigentes de topo.
É caso para nos perguntarmos da necessidade de um serviço de informações. De facto, para que é que serve e quem controla essa coisa aparentemente tão sujeita a desvirtuamentos autocráticos?
E como poderão os cidadãos fazer valer a sua soberania?
Enquanto muitos milhares de professores (de entre os mais jovens) , e é apenas um exemplo, são atirados para o desemprego, há uma clique de compadres, ou confrades, que arranja para si e para os seus lugares na administração pública e nas empresas que vivem da protecção governamental e estatal.
No fim e no início de cada legislatura é bem visível a dança de cadeiras entre a administração pública, as empresas públicas e organismos afins, os bancos e as empresas que fazem grandes contratos com Estado.
Há vários ex-pequenos Richelieu em lugares de topo do aparelho económico que parasita a sociedade portuguesa.
E se falarmos dos grupos que controlam os media, então aí encontraremos um autêntico vespeiro.
É por isso que Passos terá considerado Relvas o homem certo para liquidar a RTP e entregar um canal de televisão a um dos grupos económicos mais expansivos do sector mediático. Tudo se encaixa.
E agora só nos resta esperar para ver: Passos Coelho já tem mais do que a obrigação de demitir Relvas, se não o fez é porque isso seria catastrófico. E é impossível que alguém esteja sentado sobre este barril de pólvora sem lhe ter sentido o cheiro - nos bastidores do poder não há figuras angélicas e devotadas por inteiro à causa pública. As cenas dos próximos capítulos poderão ser interessantes: hoje o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, sempre muito independente, já nos vai dar um vislumbre das intenções do directório passista quanto ao futuro imediato.
O mais certo é Miguel Relvas continuar a negar o óbvio a ver se, pela repetição, o discurso pega. Haverá a esperança do tema dizer pouco à generalidade da população, entretida pelo aproximar do Euro e devotadamente adepta dos sacrifícios patrióticos impostos pelo governo em nome da Tróika.

Domingo, 20 de Maio de 2012

Quem puder pagar, terá educação, os pobres são carne para canhão!





Directores prevêem ano difícil nas escolas dos novos agrupamentos

Ministério anunciou 115 novas agregações de escolas, a que se vão juntar mais "umas dezenas" antes do próximo ano lectivo.

Os presidentes das duas associações de dirigentes de escolas públicas do país, Manuel Pereira e Adalmiro Fonseca, reagiram ontem com preocupação ao anúncio da criação de 115 novos mega-agrupamentos, a que se vão juntar mais "umas dezenas" que entrarão em funcionamento já no próximo ano lectivo. "Só por milagre não seria um início de ano muito conturbado", prevê Adalmiro que, como Manuel Pereira, contradiz o ministério, assegurando que "há muita insatisfação pelo país".
Cada uma das 115 novas agregações é constituída por pelo menos duas escolas ou agrupamentos e cada um deles tem uma direcção que está, neste momento, a preparar o próximo ano lectivo. "Basta pensar que ainda terão de ser nomeadas pelo menos mais 115 comissões administrativas provisórias que vão apanhar o processo de arranque de 2012 /2013 a meio e que terão de articular escolas - algumas sem qualquer relação entre si - para ter uma vaga ideia da confusão que vai ser", disse ontem Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). Manuel Pereira, da Associação de Dirigentes Escolares, reagiu de forma semelhante: "Não consigo imaginar pior altura do ano para fazer isto", lamentou. 
O dia de ontem não lhes trouxe novidades. O ministro Nuno Crato anunciou que iria ser divulgado um "conjunto de reorganizações". No comunicado enviado horas mais tarde pelo ministério, soube-se que aquele considera que o processo de agregação resultou "de um amplo consenso" e que "os agrupamentos agora criados têm uma dimensão equilibrada e racional, e têm em conta as características geográficas, a população escolar e os recursos humanos e materiais disponíveis".
Adalmiro Fonseca e Manuel Pereira dizem que, se nalguns casos se pode afirmar isso, na maior parte não corresponde à realidade. Um dos exemplos mais flagrantes é o de Gaia, que está na lista como estando resolvido. Ali, como na maioria dos concelhos do Norte, o director regional de Educação optou por uma postura dialogante: avançou com uma proposta de trabalho inaceitável para quem estava no terreno e adoptou sem grande discussão, 15 dias depois, a contraproposta que, em aflição, lhe devolveram câmara e directores. 
A proposta foi fechada sem barulho e assim ficaria, com o ruído a não ultrapassar os limites do concelho, não fosse ali haver um movimento inédito: uma associação que reúne todos os 23 conselhos gerais das 23 escolas e/ou agrupamentos que existem actualmente. "Cada conselho geral tem representantes das autarquias, das empresas, dos professores, dos alunos e das associações locais e todos estão dispostos a continuar a lutar contra uma reorganização que contraria o interesse pedagógico", promete um dos dirigentes, Avelino Azevedo, que garante que "não há lista mais ou menos formal do ministério que trave a contestação".
Na nota ontem enviada o ministério recorda que todo o processo de reorganização da rede escolar - que inclui a formação de novos mega-agrupamentos, em número não divulgado - estará concluído antes do início do ano letivo de 2013/2014.

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Está em curso uma ofensiva contra a escola pública que provocará uma degradação da qualidade do ensino sem precedentes.
Não é preciso ter muitos conhecimentos de pedagogia para compreender a importância da cultura de escola na promoção do (verdadeiro) sucesso educativo). A burocratização dos espaços escolares, transformando-os em grades unidades de 'produção' de escolarização, não serve a democracia, nem está adequada ao mundo de hoje, já liberto da visão mastodôntica das instituições sociais, própria da revolução industrial e da sua radicação estrutural à pobreza: os pobres eram encarados como carne para canhão do sistema de produção e eram escravizados sem dó nem piedade.
Ora, se queremos uma sociedade em que os cidadãos possam viver de forma livre, autónoma e expansiva, temos que apostar numa educação de qualidade e na valorização da escola pública, principal instituição de fomento da democracia.
Isto não pode ser desligada duma autêntica justiça social, assente numa redistribuição da riqueza orientada para a dignificação das pessoas e da cultura, principal veículo de emancipação espiritual.
Assim, os recursos que são desviados para alimentar o parasitismo social do sistema financeiro e dos organismos que procuram a fortuna de muito poucos em nome do sacrifício da afirmação existencial de quase todos, devem ser investidos na educação, na saúde, na segurança social e na cultura (sem exclusão da ciência). 
O Estado tem o dever de promover activamente o emprego e de criar as condições para que o nível de vida da população possa aumentar de forma sustentada.
A actual política de concentração escolar, iniciada pelos governos de José Sócrates, vai levar à destruição da escola-comunidade, da escola feita pelas pessoas e para as pessoas, criando mega-estruturas geridas à semelhança dos campos de concentração (Agamben explica isto), sem que as pessoas possam encarar-se como elementos importantes na definição dos projectos educativos, impedindo que a escola seja assumida como um espaço de abertura existencial, capaz de fomentar a vida comunitária criativa e integradora.
As escolas devem ser pequenas, com não mais de 700 elementos, entre alunos, professores, técnicos e funcionários; devem ser intergeracionais, integrando alunos de todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao ensino secundário e, também, devem ser geridas de forma democrática. A escola deve estar aberta à comunidade envolvente e todos os seus membros devem poder ter uma voz activa na definição dos projectos e das estratégias que orientam o seu funcionamento.
Com esta política concentracionária a escola pública nõ conseguirá cumprir aquele que deveria ser o seu papel: permitir que todas as crianças e todos os jovens pudessem crescer sem estarem condenados a sofrer a discriminação que condena os pobres à miséria e facilita a afirmação social dos ricos.
São medonhos os números da fome nas escolas portuguesas e a nossa sociedade não se está a tornar nem mais equitativa, nem mais solidária.
A partir de agora só os colégios privados poderão assegurar uma educação verdadeiramente humana, pois só eles poderão continuar a ser escolas com uma dimensão gerível em termos humanos e com a autonomia que permite a implementação de projectos educativos com uma orientação pedagógica autêntica.
O que implica que a educação de qualidade só estará ao alcance de quem a puder pagar.


Sábado, 19 de Maio de 2012

A liberdade de imprensa também é para ser troikada...

                                          Capa do jornal I - 19/05/2012





"A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai começar a analisar, na próxima semana, o caso das ameaças feitas ao jornal PÚBLICO pelo ministro Miguel Relvas, que já enviou documentos àquele organismo."
http://www.publico.pt


"PCP considerou  que caso se confirmem as "alegadas pressões" do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares a uma jornalista do Público, Miguel Relvas "não tem condições para continuar a ser membro do Governo".


"A confirmarem-se estas alegadas pressões e perante uma ação deste tipo, um ministro não tem condições para continuar a ser membro de um Governo", afirmou o deputado do PCP Miguel Tiago, em declarações à Lusa."
http://www.ionline.pt



O escândalo das secretas (que ainda pode vir dar muito que falar) prova que o poder laranja tem o seu polvo e as suas zonas de sombra.
Quiseram-nos passar a ideia de que são todos bens rapazes, mas pode ser que as aparências sejam mesmo para iludir.
O empobrecimento do país tem mais que se lhe diga. Há interesses que deram origem à crise e é em nome desses interesses que se governa contra os povos e a democracia.
E é preciso uma classe muito especial de governantes para se fazer o que se está a fazer: a destruição do sistema nacional de saúde, a implosão do sistema educativo, a destruição do futuro de  muitas pessoas com os cortes cegos nos rendimentos, o aumento dos impostos, a promoção do desemprego.
Ou o povo recupera a sua soberania, ou o polvo acaba de vez com a democracia...

O coiso do Álvaro vai salvar a economia?





O Álvaro está cada vez mais engraçado...
Mas veja também este vídeo, muito mais inteligente:

 

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Os brandos costumes: Passos Coelho foi vaiado na Feira do Livro



Passos Coelho foi visitar a Feira do Livro de Lisboa acompanhado pel mulher Laura  e pelo secretário de Estado daCultura, Francisco José Viegas, e foi vaiado por manifestantes que integram o movimento dos Indignados.
Ao chegar à feira, Pedro Passos Coelho, que guardou para o último dia uma visita ao certame, foi dizendo que o último livro que o marcou foi "o do presidente de Singapura", que demonstra "a transformação" que o país fez nos últimos anos.
"Inspirador, embora Singapura seja evidentemente um regime autocrático, o que não é exatamente o que nós desejamos para Portugal", declarou Pedro Passos Coelho, para quem "os livros fazem parte dos hábitos de leitura e de compra".
Recusando responder a mais perguntas por considerar que não era local próprio para "conferências de imprensa", Passos Coelho seguiu rua acima, antes de mais à frente ser vaiado por alguns manifestantes do movimento Primavera Global, acampados no Parque Eduardo VII, um momento capturado por algumas câmaras de televisão.
http://www.ionline.pt
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Está-se a ver o nível cultural deste ser tão iluminado.
Ficamos a saber que sua enormidade não deseja exatamente um regime autocrático para Portugal. Basta mandar a democracia para as urtigas.
E o sr. ainda foi vaiado.
Mas o sr. não merecia ser vaiado.
A vaia é uma forma de legitimação.
O que nos falta a nós, Indignados ou simples cidadãos, é Indignação.

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

BPN: a fraude continua impune

Capa do DN do dia 29/04/2012

A promiscuidade e, claro, o roubo

O chamado "caso BPN" é o maior exemplo da promiscuidade existente entre a política e o sector financeiro - além de um roubo, naturalmente. A fatura desta gigantesca fraude levará anos a ser paga pelos contribuintes, que esperam os resultados da investigação policial e vão assistir à segunda comissão de inquérito. Ao fim de todos estes anos, infelizmente, continuamos a não ter certezas, nem sequer sobre se a nacionalização do BPN foi a melhor solução. Até disto já podemos duvidar, sobretudo quando o valor da fatura desta decisão, que ainda não está completamente auditada, parece não parar de crescer. Visto da atualidade, o "risco sistémico" que foi na altura arguido em favor desta opção parece não valer a sangria ao Estado feita através da intervenção da Caixa Geral de Depósitos. Por outro lado, também nunca foi explicada de forma clara a relação do Presidente Cavaco Silva com os seus "amigos", pessoais e políticos, em particular a permuta do terreno onde construiu a casa de férias na Quinta da Coelha, avaliado pelo mesmo valor da casa de Montechoro, ficando assim isento de impostos - um negócio que, avaliado à luz do mercado imobiliário, tem todos os ingredientes para fazer inveja a qualquer outro português. Mais uma vez, apesar das várias tentativas, e das perguntas que endereçámos ao Presidente, não houve respostas.
JOÃO MARCELINO
www.dn.pt
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O BPN é a principal causa dos nossos problemas: sem esse buraco negro nas nossas contas públicas talvez ainda nem estivéssemos sujeitos a ajuda externa, mas é certo que o roubo dos subsídios aos funcionários públicos e pensionistas não chega para tapar tal buraco.
É tempo de exigir que todos os que beneficiaram com este esquema gigantesco de extorsão indemnizem os contribuintes portugueses. E que toda a obscuridade que envolva negócios de casas ou de acções ou seja do que for em benefício de seja quem for, seja cabalmente esclarecida.
É verdade que há muitos poderosos envolvidos. A falta de vergonha não fica bem a ninguém. É preciso lavar o rosto da nossa democracia.

Somos governados por javardos: até quando?

Subsídios serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015

O Governo prevê que os subsídios de férias e Natal, cujo pagamento foi suspenso, começarão a ser repostos a partir de 2015, a um ritmo de 25% por ano.
Neste ritmo, só em 2018 os funcionários públicos e pensionistas poderão voltar a receber os subsídios por inteiro. Mas não é certo que o ritmo de reposição seja este, já que vai depender do andamento do ajuste orçamental, anunciou nesta segunda-feira o ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
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O corte dos subsídios aos funcionários públicos e aos pensionistas é um roubo inaceitável. E para mais não há nenhuma razão para estes cidadãos terem que ser mais sacrificados que os demais. O simples corte dos subsídios é inconstitucional (para além de ferir a ética e a equidade), mas este tratamento desigual dos cidadãos é-o ainda mais.
A verdade é que estamos a ser governados por javardos.
E esta situação fica-se a dever, em larga medida, à nossa passividade. Vamos ficar quietos e calados até quando?

A carta de suicídio de Dimitri Christoulas


O governo de Tsolakoglou* aniquilou todas as minhas possibilidades de sobrevivência, que se baseavam numa pensão bastante digna que eu tinha pago por minha conta, sem nenhuma ajuda do estado, durante 35 anos.

Como a minha idade avançada não me permite reagir doutra forma (ainda que, se um compatriota grego pegasse numa kalashnikov, eu o apoiasse), não vejo outra solução além de pôr termo à vida desta maneira digna, para não ter que acabar à procura de alimentos nos contentores do lixo para sobreviver.

Acredito que os jovens sem futuro pegarão um dia nas armas e irão pendurar de cabeça para baixo os traidores deste país na praça Syntagma como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.

(Tradução livre a partir de uma tradução em espanhol. Notícia Expresso, El País, El Mundo).

*Georgios Tsolakoglou foi o primeiro primeiro-ministro do governo colaboracionista que governou a Grécia durante a ocupação nazi.

Texto copiado daqui: Ainda que os amantes se percam...

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

25 DE ABRIL SEMPRE!


O 38º aniversário da revolução dos cravos coincide com a vigência de um governo que está a conduzir Portugal para um retrocesso em termos cívicos, impensável à luz dos ideais que presidiram ao derrube do regime fascista pela mão do movimento dos capitães.
Há uma ofensiva contra os trabalhadores movida por uma classe dirigente que não se preocupa com a dignidade dos cidadãos, mas antes com os interesses dos mais poderosos e das corporações que querem tomar conta do mundo sem terem que se sujeitar a escrutínio, livre e consciente, das pessoas que o fazem: o mundo, em sentido humano, cultural, é feito pelas pessoas e deveria sê-lo para as pessoas.
A destruição dos serviços públicos e a entrega de sectores fulcrais da economia ao poder económico internacional, privatizando as grandes empresas públicas ao desbarato, em troca de mais encargos para as pessoas, está a asfixiar a democracia, criando um ambiente social e político sem margem de manobra para que a soberania seja assumida sem limitações extrínsecas por parte dos cidadãos.
São cada vez mais os excluídos e há um número crescente da população que se vê privado das principais conquistas de Abril: basta aqui referir os cortes nos sectores da saúde e da educação.
Hoje há muitos jovens que se vêem impedidos de frequentar o ensino superior por motivos económicos, fazendo lembrar a situação que se vivia antes de 25 de Abril de 74. Também há cada vez mais pessoas sem conseguirem aceder de forma plena ao serviço nacional de saúde, talvez a mais importante criação colectiva do Portugal democrático.
E contudo, não podemos querer que  Portugal volte a ser sequestrado por homens tenebrosos capazes do pior para fazerem valer a autoridade dos javardos.
A sociedade deve ser cada vez mais democrática, as desigualdades devem ser combatidas de forma cada vez mais enérgica e a cultura deve ser a prioridade, para que se instaure um ambiente de paz em todas as dimensões da sociabilidade significativa. Sem a valorização das pessoas e a recusa da mercadorização da vida não será possível vencer o fascismo que hoje se mascara de socialdemocracia neoliberal.
É chegada a hora da cidadania afirmativa. Nunca, desde 1974,  foi tão premente retomar o espírito de Abril. 

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Rob Riemen: a verdade sobre a crise

Thomas Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.

A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal.
Pela polícia?!

Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”...
Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.

O fascismo continua latente?
A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]... Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.

Países de alho?
É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia... A Europa tornou--se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto.

E o segundo?
A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc. Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existem para servir os seus interesses, não o país. Na educação, a mesma coisa: quem controla as universidades está ali para favorecer empresas e o Estado. Se algo não é bom para a economia, porquê investir dinheiro?

Nos media o mesmo.
Sim. No geral, os media já não são o espelho da sociedade nem informam de facto as pessoas do que se está a passar, existem sim para vender e vender e vender.

E as consequências estão à vista.
Pois, estamos a assistir à desintegração da sociedade. Tudo é baseado na premissa de que as pessoas devem ficar mais ricas e é daqui que vem a crise financeira, daqui e deste comportamento totalmente imoral e irresponsável de um pequeno grupo de pessoas que não podia importar-se menos [com a sociedade] e sem interesse em ser responsável. Quando uma sociedade está focada na economia, na economia, na economia e na economia, perde-se a noção do que nos dá qualidade de vida. E quando somos privados dessa noção, surge um vazio.

A sociedade kitsch que refere no livro?
Sim, em que a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial, porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas. E a classe dominante está muito mais interessada em que as pessoas liguem a isso do que ao que importa.

A classe dominante teme que as pessoas comecem a questionar tudo?
Claro que sim! Frederico Fellini, o realizador italiano, disse um dia: “Eu sei o que é o fascismo, eu vivi-o, e posso dizer- -vos que a raiz do fascismo é a estupidez. Todos temos um lado estúpido, frustrado, provinciano. Para alterar o rumo político, temos de encontrar a estupidez em nós”. Mas se as pessoas fossem um bocadinho mais espertas, não iriam para universidades estúpidas, nem veriam programas estúpidos na TV. Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia, porque as pessoas são livres de escolher e blá blá.

Quando não é assim.
Não, não, não, não! [Bento de] Espinoza – muito obrigado a Portugal por o terem mandado para a Holanda – explicou que a essência da democracia é a liberdade, mas que a essência da liberdade não é teres o que queres; é usares o cérebro para te tornares num ser humano bem pensante. Se não for assim, se não fores crítico perante a sociedade mas também perante ti próprio, nunca serás livre, serás sempre escravo. Daí que o que estamos a viver não tenha nada a ver com democracia.

Domingo, 15 de Abril de 2012

Mais alunos por turma, o deseduquês traz pior escola



Turmas vão ser maiores já no próximo ano

Um despacho do Ministério da Educação e Ciência (MEC), que será publicado nesta sexta-feira em Diário da República, determina que, do 5.º ao 12.º ano, o número máximo de alunos de turma passará a ser de 30 em vez dos 28 actuais. Por outro lado, para a constituição de turmas será necessário um número mínimo de 26 alunos. Até agora eram 24.



Em Agosto passado, o MEC já tinha aumentado de 24 para 26 o número máximo de alunos por turma no 1.º ciclo, tendo então justificado com uma “procura excepcional de matrículas” neste nível de escolaridade. Este novo limite mantém-se.

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Só quem não sabe o que é dar aulas a crianças e adolescentes pode defender que o aumento de alunos por turma não tem efeitos nefastos no rendimento dos alunos. A densidade de ocupação das salas de aula é por si só um factor negativo, como já está mais do que provado por inúmeros estudos no âmbito da psicologia e da sociologia, pois aumenta os níveis de stress e potencia os comportamentos agressivos e disruptivos.
Por outro lado, com turmas grandes os professores não podem dar conta das necessidades de cada um dos alunos, o que levará a uma diminuição da qualidade do ensino e da aprendizagem. Apesar dos preconceitos elitistas do ministro, o ensino deve estar centrado no aluno e as dinâmicas postas em acção da sala de aula devem dar protagonismo aos alunos e envolvê-los numa aprendizagem activa, interrogante e desafiadora.
O uso das novas tecnologias potencia uma nova abordagem da aula como espaço aberto à problematização e à investigação, e muitos casos para entrarem mais alunos têm que sair os computadores (isto enquanto durarem os equipamentos informáticos que foram adquiridos pelos anteriores governos, depois disso volta-se à ardósia e ao papel).
Criar turmas diferenciadas, separando os bons e os maus alunos, só faz sentido se tivermos uma visão fascizante da realidade social (isto sem preconceitos de ordem ideológica). A ideia de que os alunos que têm maus resultados são uma aberração e que não merecem um investimento sério, pode fazer poupar muitos milhões, mas é trágica uma sociedade que se quer democrática.
Com turmas humanamente dimensionadas a diversidade é um factor de evolução: se se implementar a aprendizagem cooperativa, depressa os desníveis começam a ser colmatados, porque os alunos partilham os seus saberes e entre-ajudam-se, conseguindo aumentar o alcance da acção do professor.

Sábado, 14 de Abril de 2012

Um javardo será sempre um javardo


O primeiro-ministro argumentou nesta terça-feira que o Governo poderia dar uma “imagem precipitada” de Portugal se repusesse os subsídios de férias e de Natal no final de 2014, porque essa reposição teria de ser orçamentada em 2013.
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Estes senhores não têm o direito de nos roubar uma parte significativa do nosso vencimento anual. E como se isso não bastasse dão-se ao luxo de fazer jogos políticos com a situação, como se os funcionários públicos não merecessem a consideração devida aos cidadãos de pleno direito deste país democrático.
O passismo é uma forma depurada de fascismo. Tal como o fascismo, assenta num consenso político que afasta os cidadãos do centro da política, da soberania encarada como o fundamento ontológico do Estado, para os considerar como entidades sem volição política, completamente determinadas por factores que não estão relacionados com o valor supremo da humanidade. Por isso se tomam medidas governativas impensáveis em democracia,como é o caso do triste e eloquente exemplo da decisão de fechar a Maternidade Alfredo da Costa, só por causa do que nunca deveria estar em causa.
As caras de pau ministeriais, e as diatribes propagandísticas dos imbecis de serviço à propaganda governativa, mostram que esta gente não respeita a democracia e tem uma visão da sociedade na qual nós não passamos de 'recursos' a serem geridos em função das necessidades dos mercados. Os velhos e doentes, devem morrer mais cedo para não darem prejuízo, os novos que nascem a mais, devem emigrar para injectarem mão-de-obra barata nos países mais ricos. 
É nisto que nos estamos a transformar 40 anos depois do 25 de Abril.

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

A Europa dos cidadãos vencerá a Europa dos javardos



Um tiro em Atenas



Era um velho decente, formal e limpo. E havia nele memórias, sofrimento e grandeza. Olhou em volta. Nem a sombra de um remorso nem aquele limite denso e excessivo que a idade costuma expor. Olhou em volta e talvez estivesse a lembrar-se dos vendedores de esponjas de antigamente, que ofereciam o produto na praça da Constituição; ou das tavernas com parreiras, na Plaka, sob as quais comera queijo de cabra e bebera resinato, nos longos dias de calor. E de mulheres com quem dançara, pelas festas perdidas para sempre.
Passara por muitas coisas de infortúnio e por algumas alegrias selvagens e dispersas. Transfigurada de ventos e de silêncios, a cidade fora invadida pelos nazis, envolvendo de medo e atrocidades o chão sagrado dos deuses, dos poetas e dos filósofos.
Atravessara o luto criado pelos coronéis, com a consciência de que a adversidade era fruto da falta de bondade e de compaixão, aparentemente inexplicável. Fora preso por querer ser livre. Conhecera as rudezas do desemprego, e os ténues acenos de uma esperança obstinada. Depois, como se a sociedade precisasse de um mundo de compensações, haviam-lhe reduzido o ordenado, e aumentado tudo o que pertencia aos domínios da sobrevivência estrita. Mais tarde, extorquiram-lhe os subsídios e limitaram-lhe os proventos de uma reforma escassa.
Suportou as gradações da infelicidade, porque aprendera que a infelicidade nunca é lisa, e dispunha sempre de diferentes medidas de circunstância. Chegara, assim, ali: àquele plaino com relvado, de onde se divisava o que desejasse ser divisado. E descobrira, exausto e triste, de que pouquíssimas vezes o tinham deixado ser feliz e livre.
Soltou um grito. Como se quisesse desabafar a dor insuportável que sobre ele tombara, lhe vergara os ombros e lhe ferira o mais secreto da sua fé. As coisas são como são, diziam. Mas ele não queria que as coisas fossem como queriam que elas fossem.
A partir de certa altura, decidira manter uma atitude respeitosa e marginal. Nem mesmo assim obtivera paz e sossego. A verdade é que um homem está sempre ligado ao seu passado. O aparente apaziguamento interior não domesticara a ira, a cólera e a indignação que sentia, sobretudo quando a sua terra deixara de ser a lenda e a história e fora transformada numa litografia imbecil.
Quando gritou, gritou para aqueles que o não ouviam ou não desejavam ouvir. Assaltara-o o medo de ter, num futuro próximo, de esgaravatar nos caixotes de lixo, em busca de comida. E de deixar aos filhos e aos netos o peso de dívidas e a impossibilidade de as pagar. Sentou-se na relva. Ninguém o olhou. Há muito que as pessoas não se cruzavam: trespassavam-se.
Gritou: eles não respeitam nada nem ninguém!
E disparou o revólver na cabeça.
Dimitris Christoulas, 77 anos, reformado, grego. Nosso irmão.

Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Função Pública: Já não são só os professores que são despedidos


Os primeiros funcionários públicos considerados como ‘excedentários’, na sequência do Programa de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado (PREMAC), começaram esta semana a receber as notificações de que vão passar para a mobilidade especial.
Em causa estão 105 pessoas dispensadas do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ),
http://sol.sapo.pt


E afinal eles comem mesmo à nossa custa...

Estado perdeu 882 milhões de euros com apoio a bancos

O Estado português perdeu 882 milhões de euros em 2011 com o apoio dado aos bancos portugueses, no contexto do reforço da solvabilidade do setor financeiro. Um valor que agravou o défice desse ano.
Segundo os dados publicado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), este valor surge essencialmente devido a injeções de capital nos bancos (600 milhões de euros) e pagamento futuro de juros (364 milhões), num total de 964 milhões de euros de despesa.

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É para aqui que vão os cortes nos salários dos funcionários públicos, nos subsídios de desemprego, na educação, na saúde e por aí fora...
Arre macho que eles têm que ter tacho!

Domingo, 4 de Março de 2012

Merkel não chega aos calcanhares de Dilma...


Merkel diz entender preocupações de Dilma Rousseff


A chanceler alemã Angela Merkel disse hoje em Bruxelas entender as preocupações da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que na quinta-feira reclamou que o Brasil está a sofrer com a política monetária "inconsequente" dos países desenvolvidos.
"Posso entender as suas interrogações. É por isso que lhe direi [em encontro bilateral, marcado para a próxima semana] que certamente não implementaremos medidas similares novamente", afirmou Merkel, citada pelo diário brasileiro "Estado de São Paulo".
Em discurso público na background-color: white;quinta-feira, Dilma Rousseff acusou os países desenvolvidos de recorrerem a uma política monetária expansionista, que cria condições desiguais de concorrência internacional e cria o risco do surgimento de novas "bolhas".
De acordo com a imprensa brasileira, Merkel reforçou ser "justamente isso" o que se pretende evitar.
As duas líderes terão um encontro bilateral na próxima semana, durante a visita que Dilma Rousseff fará à Alemanha para visitar a Feira Internacional de Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (Cebit), de Hannover.
http://www.ionline.pt
__________
A verdade é que a chanceler alemã é uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou no projecto europeu: a Europa já não é o que era, ou pelo menos deixou de ser um projecto de incremento da democracia e da paz na Europa e no mundo.
Dilma Rousseff está a liderar um país que precisa de crescer como potência mundial e que, em poucos anos, superará a Alemanha que procura afirmar-se como um país que não cabe nos exíguos limites do continente europeu, economicamente condenado ao declínio.
O delírio alemão está a atirar as economias periféricas da União Europeia  para o abismo da insolvência, com as dívidas soberanas a alcançarem patamares cada vez mais insustentáveis. 
Hoje o euro é uma arma que está a ser usada para enfrentar os inimigos externos e os 'amigos' europeus que precisam de crescer em termos económicos - o caso da Grécia é suficientemente elucidativo, façam o que fizerem os responsáveis políticos gregos, estarão a mover uma guerra fratricida contra o seu próprio povo e, no fim, verão que a derrota era inevitável. Portugal está logo a seguir na linha de abate, os outros PIIGS serão poupados à aniquilação política, mas verão a sua margem de manobra muito condicionada, em favor da Alemanha e das nações mais poderosas do Norte.

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O assassínio de Portugal

Pormenor da capa do jornal I de 3/03/2012

John Perkins. “Portugal está a ser assassinado, como muitos países do terceiro mundo já foram”

Chamou-se a si próprio assassino económico no livro “Confessions of an Economic Hit Man”, que se tornou bestseller do “New York Times
Por Sara Sanz Pinto, publicado em 3 Mar 2012
http://www.ionline.pt





No fim do ano passado escreveu um artigo onde afirmava que a Grécia estava a ser atacada por assassinos económicos. Acha que Portugal está na mesma situação?
Sim, absolutamente, tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda, a Itália ou a Grécia. Estas técnicas já se revelaram eficazes no terceiro mundo, em países da América Latina, de África e zonas da Ásia, e agora estão a ser usadas com êxito contra países como Portugal. E também estão a ser usadas fortemente nos EUA contra os cidadãos e é por isso que temos o movimento Occupy. Mas a boa notícia é que as pessoas em todo o mundo estão a começar a compreender como tudo isto funciona. Estamos a ficar mais conscientes. As pessoas na Grécia reagiram, na Rússia manifestam-se contra Putin, os latino-americanos mudaram o seu subcontinente na última década ao escolher presidentes que lutam contra a ditadura das grandes empresas. Dez países, todos eles liderados por ditadores brutais durante grande parte da minha vida, têm agora líderes democraticamente eleitos com uma forte atitude contra a exploração. Por isso encorajo as pessoas de Portugal a lutar pela sua paz, a participar no seu futuro e a compreender que estão a ser enganadas. O vosso país está a ser saqueado por barões ladrões, tal como os EUA e grande parte do mundo foi roubado. E nós, as pessoas de todo o mundo, temos de nos revoltar contra os seus interesses. E esta revolução não exige violência armada, como as revoluções anteriores, porque não estamos a lutar contra os governos mas contra as empresas. E precisamos de entender que são muito dependentes de nós, são vulneráveis, e apenas existem e prosperam porque nós lhes compramos os seus produtos e serviços. Assim, quando nos manifestamos contra elas, quando as boicotamos, quando nos recusamos a comprar os seus produtos e enviamos emails a exigir-lhes que mudem e se tornem mais responsáveis em termos sociais e ambientais, isso tem um enorme impacto. E podemos mudar o mundo com estas atitudes e de uma forma relativamente pacífica.

Mas as próprias empresas deviam ver que a ditadura das multinacionais é um beco sem saída.
Bem, penso que está absolutamente certa. Há alguns meses estive a falar numa conferência para 4 mil CEO da indústria das telecomunicações em Istambul e vou regressar lá, dentro de um mês, para uma outra conferência de CEO e CFO de grandes empresas comerciais, e digo-lhes a mesma coisa. Falo muitas vezes com directores-executivos de empresas e sou muitas vezes chamado a dar palestras em universidades de Gestão ou para empresários e também lhes digo o mesmo. Aquilo que fizemos com esta economia mundial foi um fracasso. Não há dúvida. Um exemplo disso: 5% da população mundial vive nos EUA e, no entanto, consumimos cerca de 30% dos recursos mundiais, enquanto metade do mundo morre à fome ou está perto disso. Isto é um fracasso. Não é um modelo que possa ser replicado em Portugal, ou na China ou em qualquer lado. Seriam precisos mais cinco planetas sem pessoas para o podermos copiar. Estes países podem até querer reproduzi-lo, mas não conseguiriam. Por isso é um modelo falhado e você tem razão, porque vai acabar por se desmoronar. Por isso o desafio é como mudamos isto e como apelar às grandes empresas para fazerem estas mudanças. Obrigando-as e convencendo-as a ser mais sustentáveis em termos sociais e ambientais. Porque estas empresas somos basicamente nós, a maioria de nós trabalha para elas e todos compramos os seus produtos e serviços. Temos um enorme poder sobre elas. Por definição, uma espécie que não é sustentável extingue-se. Vivemos num sistema falhado e temos de criar um novo. O problema é que a maior parte dos executivos só pensa a curto prazo, não estão preocupados com o tipo de planeta que os seus filhos e os seus netos vão herdar.

Podemos afirmar que esta crise mundial foi provocada por assassinos económicos e rotular os líderes da troika como serial killers?
Penso que é justo dizer que os assassinos económicos são os homens de mão, nós, os soldados, e os presidentes das grandes multinacionais e de organizações como o Banco Mundial, o FMI ou Wall Street, os generais.

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